Gel, goma ou solúvel? Ciclistas apontam as vantagens e desvantagens de cada um deles.....



Foto: Graham Watson
Por Tadeu Matsunaga

Ciclista que se preza não dispensa o uso de repositores de carboidrato. Por quê? Ora, consumida antes ou durante o pedal, essa fonte de energia aumenta a disposição para o treino e ameniza o cansaço, agindo como combustível nos tecidos, com o corpo armazenando-a em pequenas quantidades. Além disso, mantém os níveis de glicose na corrente sanguínea e melhora a oxidação dos carboidratos e gorduras e, consequentemente o desempenho do atleta — especialmente quando o esforço acumulado ultrapassa uma hora de duração.

No ciclismo, esses repositores de energia costumam ser usados nas formas de gel, goma e pó solúvel. O difícil é saber qual a melhor escolha no que diz respeito à absorção pelo organismo. Que critérios seguir?

“O que devemos considerar, prioritariamente, é o índice glicêmico (IG), que é o que vai influenciar o tempo de absorção desses carboidratos”, explica a nutricionista Juliana Pansardi. “Normalmente, a indicação de uso para esses produtos é de 30-60 g/hora, em atividades com duração superior a uma hora. Já em atividades intensas, que ultrapassam o período de duas horas, a ingestão deve ser feita num intervalo de 15 a 30 minutos”, recomenda ela.

Mas se o uso desses suplementos traz benefícios, também embute o risco dos excessos. “Nada em excesso faz bem ao organismo, e com os carboidratos não é diferente”, diz a nutricionista Juliana Neves. “A concentração de diluição faz diferença na hora dos treinos ou da prova. Isso pode gerar um efeito reverso e até mesmo atrapalhar o rendimento do ciclista, em vez de melhorar”, alerta.

O fato de os carboidratos serem essenciais para o exercício, num limite de quatro horas, também não significa que eles devem ser consumidos apenas na forma de suplementos durante os treinos. “É fundamental que se faça um balanço desse nutriente durante as 24 horas do dia. Se sentir que o corpo evolui nos treinos e que exige doses cada vez maiores desses suplementos, é necessário recorrer à alimentação natural também”, afirma a nutricionista. Eles estão nas massas, no arroz, no feijão, na batata, no milho e no pão, entre outros. Mas cuidado para não exagerar, para o feitiço não virar contra o feiticeiro.


CONTRAINDICAÇÃO

O consumo de carboidratos está liberado de forma quase irrestrita para os atletas. Porém, há algumas exceções. Obesos e diabéticos devem consultar um nutricionista do esporte para saber quando recorrer aos repositores desse nutriente. Para isso, o especialista deve analisar a duração e o tipo de treinamento. Vale lembrar que tanto os géis como as gomas e os solúveis possuem alto índice glicêmico.

O QUE ELES ACHAM?

Cristian Egídio da Rosa (ciclista da equipe de Ribeirão Preto)

“No pelotão, usamos muito mais o gel e o solúvel. Os dois são bem-vindos de uma forma geral, mas acredito que o gel seja mais eficiente, embora o solúvel também hidrate legal, além de dar energia.”

GÉIS:
Prós:
Eficiência: são mais facilmente assimilados pelo organismo, pelo fato de serem mais concentrados. Ou seja, o atleta sente os efeitos da ingestão mais rapidamente.
Manuseio: são portáteis e de fácil manuseio durante as provas, e praticidade é a palavra-chave em uma competição de ciclismo.

Contra:
Básico: não tem a mesma eficiência do pó solúvel, que ao mesmo tempo em que fornece energia hidrata o corpo de maneira efetiva.
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Teo Grandi (ciclista diletante na Itália)
“Quando se tem uma queda muito grande de açúcar no sangue (crises de fome), a goma realça muito bem. A tendência, porém, é que o efeito passe nos próximos 20 quilômetros, o que reflete numa piora do ciclista.”

GOMA
Prós:
Uma escolha econômica: cada pacote vem com dezenas de gomas, o que gera uma economia e permite que o ciclista consuma em punhados.
Não é tão doce: apesar de ter açúcar na fórmula, a goma não é tão doce como o gel, o que elimina a necessidade de tomar água para reverter o sabor que fica.

Contras:
Desce difícil: o tempo necessário para se digerir uma goma, em média, é de 3 minutos. Como o ciclista precisa repor os carboidratos rapidamente, a tendência é que ingira várias de uma só vez, o que forma um “bolo” e dificulta a ingestão.
Risco de engasgar: como os ciclistas costumam usar um bom punhado de gomas de uma única vez, o risco de ficarem entaladas na garganta é grande.

Tiego Gasparotto (ciclista da FW-Engenharia, do Rio de Janeiro)
“O solúvel é muito bem-aceito, mas perdeu um pouco de espaço com a chegada do gel. Hoje, muitos optam por eles no pós-treino em vez de utilizarem ao longo da prova.”

PÓ SOLÚVEL
Prós:
Hidrata: pelo fato de ser misturado com água, não apenas é uma fonte de carboidrato como hidrata o organismo.
Completo: no caso dos top de linha, oferecem praticamente tudo ao ciclista: proteínas, vitaminas, carboidratos.

Contra:
Não se pode exagerar: tomar a mistura de forma excessiva pode gerar indisposição e mal-estar.
Olho na temperatura: tomar solúvel quente contribui para a queda de rendimento do ciclista — mesmo que ele tenha os nutrientes, a sensação é que não sacia.
 
**Reportagem publicada na revista VO2Max, edição 79, de abril de ano 2012.