Vuelta a España 2011 – Análise das Etapas ....

Etapa 1 – Benidorm – Benidorm 13,5 km / 20 de agosto
Em 2011 a Vuelta inicia uma semana antes que os anos anteriores, tentando um conflito maior com o Mundial que acontece em setembro.
Tendo a praia de Poniente de Benidorm como cenário, a prova parte com um contrarrelógio por equipes onde, acredito eu, pequenas, muito pequenas, diferenças serão marcadas.


Etapa 2 – La Nucía – Playas de Orihuela 174,0 km / 21 de agosto
Já na segunda etapa teremos uma montanha pontuável (Alto de Relleu, 3a. categoria) onde a chegada será decidida com certeza no sprint e não teremos diferenças entre os favoritos.

Etapa 3 – Petrer – Totana 163,0 km / 22 de agosto
Uma das etapas mais curtas dessa edição, não necessariamente plana, com duas montanhas de 3a. categoria, sendo a última delas a 10Km da chegada. Provavelmente outra etapa decidida no sprint.

Etapa 4 – Baza – Sierra Nevada 170,2 km / 23 de agosto
Nesse dia a corrida começa a ficar cabeluda com uma chegada em subida na Sierra Nevada onde as primeiras diferenças importantes vão aparecer.
Alto de Filabres, 2040 metros de altitude, 1050 metros de desnível, 21Km de extensã

Sierra Nevada, 2112 metros de altitude, 1322 metros de desnível, 23Km de extensão.
 
Imagem meramente ilustrativa para vocês terem uma idéia do frio que faz na Sierra Nevada.
Etapa 5 – Sierra Nevada – Valdepeñas de Jaén 187,0 km / 24 de agosto
Uma saída inédita da Sierra Nevada e uma nova chegada em Valdepeñas de Jaén onde teremos com certeza a vitória de um
Philippe Gilbert
up-hill sprinter já que a apenas 500 metros da chegada onde existe uma parede com 27% de inclinação. Sprinter nenhum vai resistir a isso.


Etapa 6 – Úbeda – Córdoba 193,4 km / 25 de agosto
Depois de dois anos ausente, Córdoba retorna a Vuelta e desta vez com uma partida inédita em Úbeda.
Aparentemente sua altimetria demonstra ser tranquila para os sprinters, mas eles e suas equipes precisarão ficar atentos ao Alto de San Jerónimo, uma montanha de 2a. categoria a apenas 10Km da chegada.

Etapa 7 – Almadén – Talavera de la Reina 182,9 km / 26 de agosto
Outra saída inédita em Almadén (belo nome) que acolhe a prova no Sistema Montanhoso Central. Apesar de não ter montanhas pontuáveis, é uma daquelas conhecidas como “rompe-piernas”, propícias para fugas e vitórias heróicas (embora analisando o trecho final, essa vitória só acontecerá se o pelotão estiver num dia de descanso ativo).

Etapa 8 – Talavera de la Reina – San Lorenzo de El Escorial 177,3 km / 27 de agosto
No primeiro final de semana de prova, chegamos a uma dobradinha de montanha antes do contrarrelógio: começamos com uma etapa que contempla quatro montanhas pontuáveis: Puerto de Mijares (hummm) (1a), San Bartolomé (2a.), Santa Maria de Alameda (2a.) San Lorenzo de El Escorial (3a.) que apresenta uma inclinação em alguns trechos de até 28%. Teremos diferenças, com certeza.

Puerto de Mijares


Etapa 9 – Villacastín – Sierra de Bejar. La Covatilla 183,0 km / 28 de agosto
Pela primeira vez a Villacastín serve de partida para uma etapa da Vuelta que percorrerá 183Km e terá a chegada na estação de esqui de Villacastín.
Estranhamente a etapa começa também com uma subida (isso é raro de se ver) ao Cote de La Croix de Fer, desculpem, ao Alto de La Cruz de Hierro ;) e termina com a exigente escalada a Villacastín que deixará alguns pseudofavoritos com as
sapatilhas
calças na mão.


Etapa 10 – Salamanca – Salamanca 47,0 km / 29 de agosto
Antes do primeiro dia de descanso os especialistas na modalidade individual terão a ÚNICA oportunidade de brilhar nesta edição num percurso relativamente plano.

Etapa 11 – Verín – Estación de Montaña Manzaneda 167,0 km / 31 de agosto
A chegada na estação de esqui de Montaña Manzaneda é inédita e é a primeira das três etapas disputadas na Galícia (Galícia é a terra das galegas?) e serão quatro montanhas pontuáveis: Alto de Fumaces (3a.), Alto da Gonza (2a.), Alto de Ermida (3a.) e Montaña Manzaneda (1a.).

Aqui cabe uma ressalva: embora a altimetria de Montaña Manzaneda divulgada pela organização da prova contemple “somente” 19Km os especialistas do site APM (Altimetrias de Puertos de Montaña) marcaram exatos 30 (trinta!) quilômetros de escalada: http://www.altimetrias.net/aspbk/verPuerto.asp?id=313

Etapa 12 – Ponteareas – Pontevedra 167,3 km / 1o. de setembro
Etapa de descanso ativo e transição entre as duas de montanhas “galegas”. Vai ser decidida no sprint. Ponto.

Etapa 13 – Sarria – Ponferrada 158,2 km / 02 de setembro
Uma etapa complicada e que não deixará os competidores sairem ilesos desse difícil dia pela zona de “Loz Ancares”.
O final não é em subida, mas isso já foi comprovado em outras grandes voltas que nem sempre é necessário para que ocorram etapas memoráveis e que criem diferenças importantes entre os favoritos.
Os competidores iniciam o dia com duas subidas de 3a. categoria (Pico da Peña e Alto de O Lago) em apenas 34Km de prova, seguido dos dois gigantes do dia: Folgueiras de Aigas e Ancares (ambas de 1a. categoria), seguida do Puerto de Lumeras (3a. categoria) a apenas 40Km em predominância de descidas, cruzando também pelo Puerto de Ocero (não pontuável mas que poderia ser classificado de 4a. categoria).
Anotem na agenda: deve ser um dia bem interessante.

Folgueiras de Aigas

Ancares

Etapa 14 – Astorga – La Farrapona. Lagos de Somiedo 175,8 km / 03 de setembro
Um início de etapa que engana (só para quem não entende do assunto e estiver assistindo pela TV o pelotão “passeando”), e a segunda metade começa com uma subida de 2a. categoria (Puerto de la Ventana) e duas de 1a. categoria (Puerto de San Lorenzo e La Farrapona). Vai ser de doer.

San Lorenzo

La Farrapona

Etapa 15 – Avilés – Alto de L’Angliru 142,2 km / 04 de setembro
Giro = Zoncolan
Tour = Alpe d’Huez
Vuelta = Angliru
Embora mais novo, ciclisticamente falando (são apenas 4 passagens), o Angliru que retorna dois anos após sua última aparição, já faz parte da história e da lenda da corrida.
Não tenho dúvidas que o cansaço já vai fazer parte dessa etapa: já são 15 dias de corrida e nos últimos dois dias foram duras etapas de montanha. Dentro do ciclismo moderno, muito provavelmente não teremos nenhum movimento importante entre os principais candidatos à vitória final e é muito mais provável que iremos assistir ataques apenas no terço final da última escalada. Assim tem sido nos últimos anos, com raras exceções (isso é uma redundância: se é exceção, é raro).

Alto de Angliru

Etapa 16 – Villa Romana La Olmeda (Palencia) – Haro 203,6 km / 06 de setembro
Após um dia de descanso, com sangue renovado, etapa plana, de transição. Tudo vai depender da vontade das equipes de sprinters, do contrário é um dia propício para a vitória de uma fuga.

Etapa 17 – Faustino V – Peña Cabarga 211,0 km / 07 de setembro
Segundo os especialistas, é um bom dia para uma escapada: uma escalada de 3a. na primeira metade e uma de 2a. na parte final. Também deve-se ter atenção com a escalada final da Peña Cabarga (quase 7Km a 10% de média com máxima de 18%). Pensando novamente em ciclismo moderno, é esse tipo de etapa que tem trazido mais emoções nos últimos anos.

Peña Cabarga

Etapa 18 – Solares – Noja 174,6 km / 08 de setembro
Etapa exigente, de média montanha, propícia, neste momento da corrida, para uma fuga vitoriosa de um bom rodador que consiga defender-se bem em montanhas não muito exigentes.

Etapa 19 – Noja – Bilbao 158,5 km / 09 de setembro
Vai ser uma etapa com muito mais importância política do que esportiva. O regresso da Vuelta A ESPAÑA ao País Basco já está dando o que falar. Eu só espero que nenhum imbecil cometa alguma idiotice.

Etapa 20 – Bilbao – Vitoria 185,0 km / 10 de setembro
Quatro montanhas pontuáveis, sendo a última delas de 1a. categoria a aproximadamente 50Km da meta, quando a prova vira uma tábua de passar roupa. Difícil que algum sprinter resista até ela, por isso apostaria na vitória da fuga.

Etapa 21 – Circuito del Jarama-RACE – Madrid 95,6 km / 10 de setembro
Tradicionalmente também é uma homenagem ao vencedor da “roja” que após entrar nas ruas de Madrid irá percorrer um circuito urbano. Como é costume na Vuelta, a primeira delas será liderada pela equipe do líder, mas após cruzar a linha, começa a luta pelo sprint.
 

Fonte: Maglia Rosa