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História é Contada em Cima da Bike....

A história é contada em cima da bike, mas na verdade as drogas é que peladaram pra cima da vida do Dudu. Só uma pessoa é capaz de dar um Backflip na vida: Jesus.

Diretor de Cena/Fotografia: Ben Yagolnikov
Direção de Áudio: Taigoara Finardi
Roteiro: Pedro Elias e Ana Ruth
Redação: Pedro Elias e Taigoara Finardi
Edição: Daniel Trindade e Rodrigo Abreu
Câmeras: Ben Yagolnikov, Rodrigo Abreu e Daniel Trindade
Direção Geral: Trajano Maciel e Telma Barros 

Ciclista paraolímpica volta a andar após 13 anos e já pensa em competir no triatlo ...

A atleta holandesa Monique Van der Vorst, vice-campeã paraolímpica de ciclismo em Pequim-2008, conquistou o maior título de toda a sua vida, tanto dentro como fora das pistas. Paraplégica, ela voltou a andar após treze anos presa a uma cadeira de rodas, em um caso milagroso de incrível e principalmente acidental superação médica.



Ainda adolescente, ela perdeu os movimentos das pernas quando tinha apenas 13 anos de idade. Em vez de se abater, ela virou atleta e tentou o ciclismo paraolímpico, por onde conquistou duas medalhas de prata na Paraolimpíada de Pequim, e sonhava em conquistar o ouro em Londres-2012.
Mas 13 anos depois, ela viu o sonho cair por terra, em lugar de outro ainda mais importante. Nove meses atrás ela foi atropelada por um outro ciclista enquanto treinava, e começou a sentir formigamentos nos pés, até que realizou uma intensa fisioterapia para se recuperar, conseguindo ficar sobre os próprios pés algum tempo depois.
A atleta afirmou que agora “não precisa de Natal, pois cada dia passou a ser especial” após conseguir andar sem dificuldade. No entanto, nem tudo foram alegrias: agora ela não poderá mais competir no ciclismo paraolímpico, algo que considerava “a razão de sua vida”.
“(Competir) era como uma paixão. É difícil porque agora preciso encontrar um novo propósito para viver”, lamentou a atleta, em entrevista à agência Associated Press, que apesar disso não deu espaço para a tristeza, pensando com alegria na nova fase da vida.
“Isso me deu grande auto-estima. Aprendi a pensar em possibilidades, e não em limitações. Realmente não posso mais correr, mas existem várias coisas que poderei fazer em lugar disso. Eu era independente. Pude correr, dirigir, voar. Eu tive uma boa vida”, explicou.
Sem poder andar de bicicleta adaptada, ela projeta agora vencer uma prova de Triatlo, feito que conseguiu enquanto paraplégica, mas desta vez andando sobre os próprios pés. “Será um sonho para mim conseguir disputar a prova como uma atleta capacitada para isso”, espera.
Trecho do livro
"It´s not about the bike: My journey back to life"
Lance Armstrong & Sally Jenkins


Antes e depois.
Quero morrer com cem anos de idade, com a bandeira americana em minhas costas e com a estrela do Texas em meu capacete. Quero descer uma montanha dos Alpes, gritando, a 75 milhas por hora, em cima de uma bicicleta. Quero cruzar uma última linha de chegada sob os aplausos da minha mulher e do meu filho e então deitar num daqueles famosos campos de girassóis franceses e morrer elegantemente, a perfeita contradição com o legado pungente que, muito cedo, foi-me antecipado.
Uma morte lenta não é para mim. Não faço nada devagar, nem ao menos respirar. Faço tudo em ritmo acelerado: como rápido e durmo rápido. Fico louco quando minha esposa, Kristin, dirige nosso carro porque ela freia no sinal amarelo enquanto me contorço impaciente no banco de passageiro.
"Vamos lá, não seja medrosa" - digo-lhe.
"Lance" - ela diz - "case-se com um homem".
Passei minha vida correndo de bicicleta, das estradinhas de Austin, Texas, ao Champs-Elysees, e sempre entendi que se eu tivesse uma morte prematura, seria por causa de algum vaqueiro em seu Dodge 4x4, me executando, tranqüilamente, de dentro de uma trincheira. Acredite, isso poderia ter acontecido. Ciclistas travam uma guerra sem fim contra caras em grandes caminhões. Muitos veículos me pegaram e tantas vezes, em tantos países, que até perdi a conta. Aprendi como retirar os pontos do meu próprio corpo: tudo o que você precisa é de um par de alicates de unha e um estômago forte.
Se você me ver sem camisa saberá do que estou falando. Tenho cicatrizes em ambos os braços e marcas coloridas em minhas pernas, que mantenho depiladas, de cima a baixo. Talvez seja por isso que os caminhões estão sempre tentando me atropelar; eles vêem minhas panturrilhas efeminadas e decidem não frear. Mas os ciclistas têm que se depilar porque quando uma pedrinha entra na pele é mais fácil limpá-la e tratá-la se você não tem pêlos.
Num minuto você está na estrada pedalando e no outro... Boom! Você está com a cara no chão. Uma rajada de ar quente te derruba e você sente o gosto amargo de diesel queimado no céu da boca. Tudo o que se pode fazer é gesticular com os punhos para as luzes traseiras que seguem em frente.
Câncer é assim. É como ser derrubado na estrada por um caminhão. E tenho as cicatrizes para provar. Há um corte enrugado na parte alta do meu tórax, um pouco abaixo do coração, que foi por onde o catéter foi introduzido. Um outro corte cirúrgico começa no lado direito da minha virilha, adentrando a parte superior da coxa, de onde extraíram meu testículo. Mas os verdadeiros prêmios são duas meias-luas profundas no meu crânio, como se um cavalo me tivesse dado dois coices na cabeça. São restos de uma cirurgia no cérebro.
Quando eu tinha 25 anos, tive câncer testicular e quase morri. Deram-me menos de 40% de chances de sobreviver e, francamente, alguns dos meus médicos estavam sendo bonzinhos quando deram essa probabilidade. Morte não é exatamente uma conversa de coquetel, sei, e tampouco é o câncer, a cirurgia cerebral ou coisas abaixo da cintura. Mas não estou aqui para falar sobre coisas bonitinhas. Quero contar a verdade. Tenho certeza de que você gostará de saber como Lance Armstrong tornou-se um respeitado cidadão americano e fonte de inspiração para todos nós, como ele venceu o Tour de France, corrida de estrada de 2290 milhas, que é considerado o evento esportivo mais cansativo da face da Terra. Você quer ouvir sobre fé e mistério, meu retorno milagroso e como me juntei a altas personalidades, como Greg LeMond e Miguel Indurain, no livro dos recordes. Você quer saber sobre a subida lírica através dos Alpes, minha conquista heróica dos Pirineus e todo o sentimento sobre isso. Mas o Tour é a última parte da história.
Algo disso não é fácil de se falar ou confortável de se ouvir. Peço-lhe, de início, que ponha de lado suas idéias sobre heróis e milagres porque não sou material para um livro de histórias. Isto não é Disneylândia, ou Hollywood.
Darei um exemplo: li que voei por sobre as colinas e montanhas da França. O problema é que você não voa sobre uma colina. Você luta lenta e dolorosamente na subida da montanha e talvez, se trabalhar muito duro, conquista seu cume primeiro que todo mundo.
Câncer é assim também. Pessoas boas e fortes contraem câncer, fazem todas as coisas certas para derrotá-lo e ainda assim morrem. Essa é a verdade essencial que se aprende. Pessoas morrem. E depois que você aprende isso, todas as outras coisas tornam-se irrelevantes. Elas simplesmente parecem pequeninas.
Não sei porque ainda estou vivo. Posso apenas supor. Tenho uma constituição física rígida e minha profissão me ensinou como competir com baixas probabilidades e grandes obstáculos. Gosto de treinar duro e correr com raça. Isso ajudou. Foi um bom começo, mas certamente não foi o fator determinante. Não ajudarei em nada se acreditar que minha sobrevivência foi apenas uma questão de sorte.
Quando eu estava com 16 anos, fui convidado a fazer um teste num lugar em Dallas chamado "Cooper Clinic", um prestigiado laboratório de pesquisas e o local de nascimento da revolução dos exercícios aeróbicos. Um médico lá mediu meu nível máximo de VO2, que é uma avaliação de quanto oxigênio você pode reter e usar. O médico disse que os meus resultados eram os mais altos que eles já haviam encontrado. Também, eu produzia menos ácido lático que a maioria das pessoas. Ácido lático é um produto químico que seu corpo gera quando lhe falta ar e quando está fatigado. É isso que faz seus pulmões queimarem e doer as pernas.
Basicamente, posso suportar mais cansaço físico que a maioria das pessoas e não fico tão cansado quando estou fazendo isso. Então percebi que isso poderia me ajudar a ganhar a vida. Tive sorte. Nasci com uma capacidade de respirar acima da média. Mas ainda assim, eu estaria sujeito a um nevoeiro de doença.
Minha doença estava me abatendo, revelando-se de forma grave e forçou-me a analisar a vida com uma visão implacável. Há alguns episódios vergonhosos nisso: exemplos de avareza, tarefas inacabadas, fraquezas e lamentações. Tive que me perguntar: "Seu eu viver, quem pretenderei ser?" Descobri que eu tinha muito que crescer como um homem.
Não vou te iludir. Existem dois Lance Armstrongs, o do pré-câncer e o posterior. A pergunta favorita de todos é: "Como o câncer te mudou?" A questão correta é: como ele não me mudaria? Deixei minha casa em 02 de outubro de 1996 como uma pessoa e quando voltei era outra. Eu era um atleta de nível internacional com uma mansão à margem de um rio, chaves para o Porsche e com uma fortuna no banco que eu havia feito. Eu era um dos maiores corredores do mundo e minha carreira estava se movendo em um perfeito arco de sucesso. Retornei uma pessoa diferente, literalmente. De um modo, o velho de mim morreu e eu tinha ganhado uma segunda vida. Até o meu corpo é diferente porque durante a quimioterapia perdi todos os músculos que havia conseguido e, quando os recuperei, não vieram do mesmo modo.
A verdade é que o câncer foi a melhor coisa que já aconteceu comigo. Não sei porque contraí a doença, mas ela fez milagres por mim e eu não fugiria dela. Por que eu iria querer mudar o evento mais importante e construtivo da minha vida?
As pessoas morrem. Essa verdade é tão desanimadora que às vezes não suporto articular sobre isso. Por que devemos seguir em frente? - você deve perguntar. Por que simplesmente não paramos e deitamos onde estamos? Há uma outra verdade também. São verdades iguais, porém contrapostas. As pessoas vivem, e das maneiras mais extraordinárias. Quando eu estava doente, vi mais beleza, triunfo e honestidade em um único dia, do que em qualquer corrida. E aqueles momentos eram humanos, não se tratava de milagre. Conheci um cara com uma roupa gasta e suada que se tornou um brilhante cirurgião. Fiquei amigo de uma enfermeira apressada e ocupada chamada LaTrice, que me deu tanta atenção que aquilo só podia ser resultado da mais profunda simpatia e afeição. Vi crianças sem cílios, sem sobrancelhas, com os cabelos queimados pela quimioterapia e que lutavam com corações de Indurains.
Ainda não entendo completamente.
Tudo o que posso fazer é dizer o que aconteceu.
Naturalmente, eu deveria ter desconfiado que algo estava errado comigo. Mas atletas, especialmente ciclistas, estão na profissão da negação. Você nega toda dor e sofrimento: é necessário para terminar a corrida. É o esporte do auto-abuso. Você fica sobre a bicicleta um dia todo, seis, sete horas, em todos os tipos de tempo, sobre paralelepípedos e pedras, na lama, no vento, na chuva, debaixo de granizo e você não cede ao sofrimento.
Tudo dói. As costas doem, os pés doem, as mãos doem, o pescoço dói, as pernas doem e, claro, a bunda dói.
Então, não prestei muita atenção ao fato de não estar me sentindo bem em 1996. Quando meu testículo direito ficou levemente inchado naquele inverno, eu me disse que deveria viver com aquilo porque presumi que era algo que eu havia feito sobre a bicicleta, ou que meu sistema fisiológico estava se compensando por alguma coisa. Eu estava pedalando forte como sempre, de verdade, e não havia razão para parar.
Ciclismo é um esporte que recompensa campeões adultos. A resistência física do esporte é adquirida com o passar dos anos e o raciocínio para estratégia vem com a experiência. Por volta de 1996 percebi que estava finalmente chegando ao meu auge. Naquela primavera, venci uma prova chamada Fleche-Wallonne, um teste cansativo através dos Ardennes, que nenhum americano havia conquistado antes. Terminei em segundo no Tour Du Pont, 1,225 milhas durante 12 dias pelas montanhas da Carolina. Adicionei mais cinco segundo-lugares àqueles resultados e eu estava prestes a chegar entre os cinco primeiros ciclistas no ranking internacional pela primeira vez na minha carreira.
Mas os fãs do ciclismo perceberam algo estranho quando venci o Tour Du Pont: geralmente, quando venço uma corrida, movimento meus punhos como pistões quando cruzo a linha de chegada. Mas naquele dia eu estava muito exausto para celebrar sobre a bicicleta. Meus olhos estavam vermelhos e meu rosto corado.
Eu estaria confiante e animado com a minha performance na primavera. Em vez disso, estava simplesmente cansado. Meus mamilos estavam feridos. Se eu entendesse melhor, perceberia que era um sinal de doença. Significava que eu tinha um alto nível de HCG, que é um hormônio produzido normalmente por mulher grávida. Homens não tem isso, a quantidade é muito pequena, a não ser que seus testículos o estejam produzindo.
Achei que eu estava apenas desgastado. Dane-se, eu disse, você não pode dar-se ao luxo de estar cansado. A frente, ainda haviam as duas corridas mais importantes da estação: o Tour de France e os Jogos Olímpicos de Atlanta e eles eram tudo para o que eu havia treinado e corrido. Abandonei o Tour de France já no quinto dia. Pedalei durante uma tempestade e peguei uma inflamação na garganta e bronquite. Eu estava tossindo e tinha uma dor na parte baixa das costas. Eu estava simplesmente incapaz de retornar à bicicleta. "Eu não conseguia respirar" - disse à imprensa. Olhando o passado, eram palavras sinistras.
Em Atlanta, meu corpo falhou novamente. Fiquei em 6º no contra-relógio e 12º na prova de estrada, atuações respeitadas, acima de tudo, mas fiquei desapontado pelas altas expectativas.
De volta ao lar, em Austin, achei que estava resfriado. Estava dormindo muito, com a auto-estima dolorosamente em baixa. Ignorei isso. Apaguei isso durante toda aquela estação difícil.
Comemorei meu aniversário em 18 de setembro e, algumas noites depois, convidei amigos, que lotaram minha casa, para uma festa antes de um show de Jimmy Buffett. Alugamos uma máquina de margaritas. Minha mãe, Linda, veio de Plano me visitar e no meio da festa naquela noite eu lhe disse: "sou a pessoa mais feliz desse mundo". Eu amava minha vida. Eu estava namorando uma menina da Universidade do Texas que se chamava Lisa Shields. Tinha acabado de assinar um novo contrato de dois anos com uma prestigiada equipe francesa, Cofidis, por dois milhões e meio de dólares. Minha casa nova era gigantesca. Levou meses para ser construída e cada detalhe da arquitetura e do "design" interior eram exatamente o que eu queria. Era uma casa de estilo mediterrâneo, nas margens do lago Austin, com janelas de vidro altas que davam vistas para uma piscina e um pátio estilo piazza que, por sua vez, desembocava numa doca onde estavam meu próprio jet ski e minha lancha.
Apenas uma coisa estragou aquela noite: no meio do show senti que uma dor de cabeça estava surgindo. Começou com tediosas pontadas. Tomei uma aspirina. Não ajudou. Na realidade, a dor piorou.
Tentei o "Ibuprofen". Agora eu já tinha tomado cinco comprimidos, mas a dor de cabeça apenas se espalhava. Supus que era devido a tantas margaritas e prometi que nunca mais beberia outra. Meu amigo e procurador, Bill Stapleton, deu-me alguns remédios para enxaqueca de sua mulher, Laura, que tinha um frasco em sua bolsa. Tomei três. Também não funcionou.
Agora, pareciam aquelas dores de cabeça que se vêem nos filmes: inclinado sobre os joelhos, as mãos segurando a cabeça, esmagando o cérebro.
Finalmente, desisti e fui embora. Apaguei todas as luzes e deitei-me no sofá, perfeitamente imóvel. A dor não chegou a diminuir, mas eu estava tão exausto com ela e com a tequila, que finalmente adormeci. Quando acordei na manhã seguinte, a dor tinha passado. Conforme me movia pela cozinha, fazendo o café, percebia que minha visão estava um pouco embaçada. As bordas das coisas pareciam suaves. "Devo estar ficando velho", pensei. Talvez precise de óculos.
Tinha uma desculpa para tudo.
Alguns dias depois, eu estava em minha sala falando ao telefone com Bill Stapleton quando tive um ataque de tosse. Deu vontade de vomitar e senti o gosto de algo metálico e ligeiramente salgado no fundo da garganta. "Espere um minuto" - eu disse. "Há algo errado aqui". Corri ao banheiro. Tossi na pia.
Respingou sangue. Fiquei pasmo diante da pia. Tossi novamente e cuspi mais sangue. Não podia acreditar que a massa de sangue e aquele coágulo tinha vindo do meu corpo.
Apavorado, voltei à sala e peguei o telefone. "Bill, te ligo depois". Desliguei e imediatamente telefonei para o meu vizinho, Dr. Rick Parker, um bom amigo que foi meu médico pessoal em Austin. Rick morava perto, abaixo da minha casa.
"Você pode dar um pulo aqui? Estou tossindo sangue".
Enquanto Rick estava a caminho, voltei ao banheiro e olhei o resíduo de sangue na pia. De repente, abri a torneira. Eu quis lavar aquilo. Às vezes faço coisas sem saber os motivos. Eu não queria que Rick visse aquilo. Eu estava embaraçado e queria que aquela coisa fosse embora.
Rick chegou e examinou meu nariz e minha boca. Ele acendeu uma luz no fundo da minha garganta e pediu para ver o sangue. Mostrei-lhe o pouquinho que havia sobrado na pia. Meu Deus, não posso lhe dizer o quanto havia na pia, é muito nojento. O que sobrou não parecia ser muito. Rick estava acostumado a me ouvir reclamar sobre sinusite e alergias. Austin tinha muito pólen e plantinhas que soltam partículas alérgicas. Não importa o quanto torturado estou que não posso tomar remédio por causa do estrito regulamento de doping do ciclismo. Tenho que sofrer as enfermidades.

"Pode estar sangrando por causa da sinusite", Rick disse.
"Beleza" - eu disse. "Não é grande coisa!"
Fiquei muito aliviado. Agarrei a primeira sugestão de que não era sério e ficou assim. Rick apagou a lanterninha e, a caminho da porta, convidou-me a jantar com sua esposa, Jenny, na semana que viria.
Noites após, desci a ladeira a casa dos Parkers numa espécie de Mobilette. Eu sentia uma coisa por brinquedos motorizados e aquela bicicleta com motor era um dos meus favoritos. Mas naquela noite eu estava com tanta dor no testículo direito que quase morri ao sentar-me na motocicleta. Também não pude ficar confortável na mesa de jantar. Tive que me sentar bem direitinho e não ousava me mover, era muito doloroso.
Quase disse a Rick como me sentia, mas eu estava muito consciente. Não era algo apropriado para se dizer no jantar e eu já o havia incomodado uma vez sobre o sangue. Esse cara vai pensar que sou um tipo de lamentador, pensei. Guardei aquilo comigo.
Quando acordei no dia seguinte, meu testículo estava terrivelmente inchado, quase do tamanho de uma laranja. Puxei minha roupa, peguei a bicicleta do rack na garagem e iniciei meu treino, mas percebi que sequer podia sentar no selim. Durante todo o percurso pedalei em pé. Quando voltei de tardezinha, relutantemente, liguei ao Parker novamente.
"Rick", tem algo de errado com o meu testículo" - eu disse. "Está muito inchado e tive que ficar de pé no treino".
Rick disse com severidade: "você precisa fazer um "check up" imediatamente".
Ele insistiu que me pegaria e me levaria a um especialista naquela tarde. Desligamos e ele telefonou para o Dr. Jim Reeves, um conhecido urologista de Austin. Assim que Rick explicou meus sintomas, Reeves disse que eu deveria vir imediatamente. Ele ia deixar uma consulta em aberto. Rick disse que Reeves suspeitava de uma mera torção no testículo, mas que eu deveria ir até lá e checar. Se eu ignorasse, poderia perder o testículo.
Tomei banho, me vesti e agarrei as chaves do Porsche. É engraçado. Posso lembrar exatamente o que vesti: calças cáqui e camisa verde. O consultório de Reeves ficava no coração da cidade, perto do campus da Universidade do Texas, um edifício plano com ladrilhos marrons.
Reeves concentrou-se em se tornar um homem mais velho, tinha uma voz profunda e ressonante que parecia vir do fundo de um poço e um modo médico de fazer tudo parecer rotina, apesar do fato de ele estar seriamente alarmado com o que encontrava enquanto me examinava.
Meu testículo estava três vezes maior que o normal e doía ao toque. Reeves tomou algumas notas e então disse: "isso parece suspeito. Por segurança, vou te mandar do outro lado da rua para fazer um ultra-som."
Coloquei minhas roupas e me dirigi ao carro. O laboratório ficava na transversal da avenida, outro edifício plano com ladrilhos marrons, e decidi ir de carro. Dentro, havia pequenos consultórios e salas repletas de equipamentos médicos complicados. Deitei em outra mesa de exame.
Uma mulher veio me examinar com o ultra-som, um tipo de bastão que projeta uma imagem numa tela. Imaginei que estaria fora dali em alguns minutos. Apenas uma checagem de rotina para que o médico tomasse uma decisão segura.
Uma hora depois, eu ainda estava na mesa. A mulher parecia estar inspecionando cada polegada do meu saco. Eu deitado ali, sem palavras, tentando não estar consciente. Por que estava demorando tanto? Ela havia encontrado algo?
Finalmente, ela abaixou o bastão. Sem dizer uma palavra, ela saiu da sala.
Eu disse - "espere um minuto. Hei!"
Pensei "isso deve ser um mau hábito". Depois de um tempo, ela voltou com um homem que eu havia visto no consultório. Era o radiologista chefe. Ele pegou o bastão e começou a examinar minhas partes. Eu deitado ali enquanto ele me examinava por outros 15 minutos. Por que está demorando tanto, poxa!
"Ok. Você pode se vestir e sair" - ele disse. Atropelei-me nas roupas e o encontrei no salão.
"Precisamos tirar um raio-x do tórax" - ele disse.
Olhei em seus olhos. "Por quê?"
"Dr. Reeves pediu".
Por que eles olhariam meu tórax? Nada dói lá. Fui a outra sala de exame, tirei minhas roupas novamente e um outro técnico iniciou os procedimentos do raio-x.
Agora eu estava ficando nervoso e assustado. Vesti-me novamente e segui ao consultório principal. Desci para o saguão de entrada e vi o radiologista chefe de novo.
"Hei" - eu disse, encurralando o cara. "O que está acontecendo aqui? Isso não é normal."
"Dr. Reeves deve falar com você" - ele disse.
"Não. Quero saber o que está acontecendo".
"Bem, não quero passar sobre o Dr. Reeves, mas parece que, talvez, ele esteja te examinando acerca de alguma atividade cancerígena".
Fiquei perfeitamente imóvel.
"Oh, car..." - eu disse.
"Leve os raios-x ao Dr. Reeves. Ele te espera em seu consultório".

Sentia um friozinho na boca do meu estômago e estava crescendo. Peguei meu celular e digitei o número de Rick.
"Rick, está acontecendo alguma coisa aqui e não estão me dizendo tudo".
"Lance, não sei exatamente o que está acontecendo, mas quero ir com você ao Dr. Reeves. Por que não nos encontramos lá?"
"OK".
Esperei na radiologia enquanto eles preparavam meu raio-x. O radiologista finalmente veio e passou-me às mãos um envelope grande e marrom. Ele disse que Reeves me esperava no consultório. Fiquei olhando aquele envelope. Meu tórax estava lá, percebi.
Isto é mau. Pulei no carro e dei uma espiada no envelope que continha o raio-x do meu peito. O consultório do Dr. Reeves estava a 200 jardas, mas parecia estar mais longe. Parecia duas milhas. Ou 20.
Percorri a curta distância e estacionei. Agora estava escuro e já havia passado do horário de atendimento normal. Se Dr. Reeves tinha me esperado todo esse tempo, é porque havia uma boa razão, pensei. E a razão era que a merda estava prestes a atingir o ventilador.
Conforme eu andava pelo consultório do Dr. Reeves, notava que o prédio estava vazio. Todos se haviam ido e estava escuro lá fora.
Rick chegou com olhar desgostoso. Arquei-me na cadeira enquanto Dr. Reeves abria o envelope e puxava meu raio-x. O raio-x é como o negativo de uma foto: anormalidades aparecem em branco. Imagem preta é boa porque significa que seu organismo está limpo. Preto é bom. Branco é ruim.
Dr. Reeves fixou meu raio-x num tabuleiro luminoso na parede.
Meu tórax se parecia com uma tempestade de neve.
"Bem, a situação é séria" - disse Dr. Reeves. "Parece câncer testicular com grande metástase nos pulmões".

Tenho câncer.
"Tem certeza?" - eu disse.
"Absoluta".
Tenho 25 anos. Por que deveria ter câncer?
"Eu não deveria ter uma segunda opinião?" - eu disse.
"Claro", Dr. Reeves disse. "Você tem todo o direito de fazer isso". Mas devo dizer que estou seguro desse diagnóstico. Marcarei uma cirurgia para amanhã cedo, às sete, para remover o testículo".
Tenho câncer e ele está em meus pulmões.
Dr. Reeves acrescentou detalhes a sua diagnose: câncer testicular é uma doença rara; ocorrem anualmente por volta de 7000 casos, apenas, nos Estados Unidos. A tendência é de a pessoa desenvolvê-lo entre os 18 e os 25 anos e é considerado tratável sem maiores problemas graças aos avanços na quimioterapia, mas diagnóstico e intervenção precoces são a chave do problema. Dr. Reeves estava certo de que eu tinha o câncer. A questão era, exatamente, até onde ele havia se espalhado. Ele recomendou que eu procurasse o Dr. Dudley Youman, um renomado oncologista de Austin. Velocidade era essencial; cada dia contava. Finalmente, Dr. Reeves terminou.
Eu não disse nada.
"Vou deixá-los a sós por um minuto" - Dr. Reeves disse.
Sozinho com Rick, deitei minha cabeça na mesa. "Não consigo acreditar nisso"- falei.
Mas eu tinha que admitir. Eu estava doente. As dores de cabeça, tossindo sangue, a inflamação na garganta, desmaiado na cama dormindo para sempre. Eu tinha uma sensação real de doença.
"Lance, ouça, o tratamento do câncer tem melhorado muito. É curável. Não importa o que aconteça, vamos derrotá-lo. Vamos fazê-lo".
"OK" - eu disse- "OK".
Rick chamou Dr. Reeves.
"O que temos que fazer?" - perguntei. "Vamos continuar com algo. Vamos matar essa coisa. Não importa o que aconteça, vamos fazê-lo" - eu disse.
Eu queria curá-lo instantaneamente, neste momento. Eu passaria por uma cirurgia naquela mesma noite. Eu teria usado uma arma de radiação em mim mesmo se ajudasse. Mas Reeves pacientemente explicou os procedimentos para a manhã seguinte. Eu deveria ir cedo ao hospital para uma bateria de exames. Só então o oncologista poderia determinar a extensão do câncer e fazer a cirurgia de remoção do testículo.
Levantei para ir embora. Eu tinha um monte de telefonemas para fazer e um deles era para minha mãe; de algum modo eu teria que lhe dizer que seu filho único tinha câncer.
Entrei no carro e segui meu caminho. Árvores enfileiradas na rua, em direção ao meu lar às margens do rio. Pela primeira vez em minha vida dirigi devagar.
Estava em choque. Meu Deus, nunca poderei correr novamente. Não, Deus, vou morrer. Não, meu Deus, nunca constituirei uma família. Aqueles pensamentos estavam enterrados em algum lugar na confusão. Mas a primeira coisa era: Oh, Deus, nunca correrei novamente. Peguei o telefone do carro e liguei para Bill Stapleton.
"Bill, tenho notícias realmente ruins".
"O quê? "- ele disse preocupado.
"Estou doente. Minha carreira acabou".
"O quê?"
"Está tudo acabado. Estou doente. Nunca mais vou correr e vou perder tudo".
Desliguei.
Fui levado pelas ruas em primeira marcha, sem energia sequer para pisar no acelerador. Conforme eu ia errante, questionei tudo: meu mundo, minha profissão, eu mesmo. Eu era uma pessoa de 25 anos a prova de bala quando havia deixado a casa. Câncer mudaria tudo para mim, percebi. Não iria apenas sabotar minha carreira. Iria me desprover da completa definição de quem eu era. Comecei sem nada. Minha mãe era secretária em Plano, Texas, mas com a minha bicicleta eu havia me tornado algo. Enquanto outras crianças nadavam no country clube, eu pedalava milhas depois da escola porque eu sabia que essa era a minha chance. Havia galões de suor por trás de cada troféu e dólar que eu tinha ganhado e, agora, o que faria? Quem eu seria se não fosse Lance Armstrong, o ciclista profissional do primeiro time?
Uma pessoa doente.
Meti o carro na garagem. Na casa, o telefone tocava. Segui até a porta, enfiei a chave na fechadura. O telefone continuou tocando. Atendi. Era meu amigo Scott MacEachern, um representante da Nike, designado para trabalhar comigo.
"Hei, Lance, o que está acontecendo?"
"Bem, um monte de coisa" - eu disse irritado. "Muita coisa está acontecendo".
"O que você quer dizer?"
"Eu..."
Eu não havia dito isso alto ainda.
"O quê?"
Abri e fechei minha boca e abri novamente. "Eu tenho câncer" - eu disse.
Comecei a chorar.
E então, naquele momento, algo me ocorreu: posso perder minha vida também, não apenas meu esporte.
Eu poderia perder minha vida.

Major Taylor ...



Marshal W. Taylor foi apelidado de Major ainda adolescente porque só vestia uniforme militar enquanto realizava acrobacias na sua bicicleta na loja que trabalhava em Indianápolis. Com o passar do tempo, o dono da loja, Louis Munger direcionou o talento do jovem para as competições, quando então Major Taylor conseguiu sua primeira vitória, aos 13 anos de idade em 1892.
Porém havia um problema sério: Major Taylor era negro.
Ser negro naquela época e naquela região dos Estados Unidos (sul) não era nada fácil. A Liga Americana de Ciclistas proibiu os negros de competir em 1894, justamente na época que as provas de pista estavam no auge. Major teve que contentar-se com provas menores, reservadas aos negros, nas quais demonstrou suas qualidades, chegando a ser campeão nacional (nas provas de negros).
Nessa época seu mentor Munger resolve mudar sua loja e construir uma fábrica de bicicletas mais ao norte, em Worcester, aproveitando o aumento da procura por bicicletas e também para lutar contra o racismo, numa atmosfera mais tolerante. Major pulverizou dois recordes mundiais, posteriormente anulados devido ao fato de ser negro.
Porém aos poucos as coisas mudam, e Major é finalmente admitido com competidor profissional num organismo em Nova Iorque.
Sua primeira corrida profissional foi também uma das mais difíceis: os Seis Dias do Madison Square Garden. Nos tempos em que as corridas de bicicletas eram um dos acontecimentos esportivos favoritos do público, atraindo milhares de espectadores e muito dinheiro. A estratégia de Major foi rodar 8 horas e descansar 1, vencendo a prova com 1.732 milhas. Foi aclamado, mas jurou nunca mais participar dessa tortura, pois seu forte eram os sprints.
O “ciclista de cor” como os jornais o chamavam, competiu com valentia no circuito profissional em 1897, mas teve que abandonar a luta pela vitória final quando os promotores do sul se negaram a permitir sua participação nos seus eventos. Na ocasião, a hostilidade dos ciclistas brancos passava das táticas de corrida, chegando a agressões físicas, empurrões na pista (deixando-o inconsciente em algumas oportunidades).
Ainda assim, seguiu somando vitórias e estabeleceu um recorde mundial na Milha com Saída Parada: 1 minuto e 41,4 segundos com somente 19 anos.
No ano seguinte venceu o Campeonato Mundial em Montreal, na primeira ocasião que saiu do país para competir.
Major transformava-se então no segundo atleta negro a ser campeão do mundo, após George Dixon (boxeador) em 1890.
Na temporada seguinte, voltou a bater o recorde da milha e sagrou-se campeão nacional de sprint.
As hostilidades em virtude do racismo foram diminuindo conforme ia somando vitórias. Com os prêmios obtidos, adquiriu uma loja na Avenida Hobson, uma zona exclusiva em Columbus Park. Seus vizinhos não viram com bons olhos um negro por ali e ofereceram muito mais dinheiro do que ele havia pago para que se mudasse. Major negou-se e seus vizinhos não tiveram outro remédio a não ser aceitar seu distinto vizinho: nesse momento, era um dos atletas mais ricos da época.
Durante muitos anos recusou convites para correr na Europa, pois suas crenças religiosas (era batista) o impediam de competir aos domingos. Finalmente em 1901 assinou um contrato e foi recebido com todas as honras na França e bateu a todos os então campeões europeus.
Sua fama cresceu na Europa, com passagens pela Austrália, até retirar-se em 1910 aos 32 anos de idade.
Porém, Major não teve nos negócios o mesmo sucesso das pistas. Uma série de dívidas e doenças dizimaram sua fortuna durante os anos 20 até o ponto de ser abandonado por sua mulher e perder tudo o que tinha. Em 1930 vai a Chicago tentar vender sua autobiografia, sem sucesso.
Faleceu em 1932 num hospital de caridade e foi enterrado como indigente.
Dezesseis anos mais tarde, um grupo de ex-ciclistas profissionais trataram de transladar seus restos mortais para uma tumba digna, identificada com uma placa de bronze onde se pode ler:
“Campeão Mundial de Ciclismo que superou o difícil caminho sem ódio em seu coração. Honesto, valente, crente, de vida limpa e um honrado desportista. Uma recordação a sua carreira em que sempre deu o melhor. Você se foi, mas não te esqueceremos.”
Após sua morte, publicaram suas memórias, nas quais ele insistia em levar uma “vida limpa” e repetia alguns pontos fundamentais para ele, seus famosos NÃO:
- Não atravessar a noite
- Não usar drogas
- Não comer doces baratos
- Não fumar
- Não deixar de levar uma vida limpa
- Não fazer jogo sujo
- Não ganhar com truques sujos
- Não se esquecer de ser esportivo

Fonte: http://magliarosa.wordpress.com/

Lance Armstrong .....


 

Lance Armstrong (Plano, 18 de setembro de 1971) é um ciclista estado-unidense, conhecido por ter vencido o Tour de France sete vezes consecutiva (1999-2005), logo após ter-se restabelecido de um câncer.
Biografia
Armstrong anunciou em 18 de abril de 2005, em Augusta, nos EUA, que encerraria sua carreira logo após o Tour de France 2005, o que realmente fez. Em abril de 2006, anunciou que correria a Maratona de Nova Iorque, em 5 de novembro do mesmo ano, negando que o faria seriamente ou que pretendia atuar profissionalmente em maratona ou triatlo.
Para a surpresa geral, no final de 2008, aos 37 anos, decidiu voltar ao ciclismo, correndo pela Astana. Em 2009, Armstrong disputou pela primeira vez o Giro d'Italia, naquela que foi a 100ª edição da volta italiana, além de marcar presença novamente no Tour de France.
Lance nasceu a 18 de Setembro de 1971 e começou a desenvolver o seu corpo desde muito novo. Sua mãe, Linda Mooneyham, teve até dois e três empregos para sustentar Lance, após o pai os ter abandonado. O seu apoio foi o motivo principal para que Lance se investisse no mundo do desporto.
Primeiro Lance praticou natação, o que o ajudou a moldar o seu carácter de lutador. Levantava-se às 4h45 todos os dias para ir treinar na piscina. Mais tarde, quando completou treze anos, descobriu o triatlo e venceu o concurso "Iron kids Triathlon". Este foi o início de uma vida cheia de vitórias, mas também de grandes feridas.
Chris Carmichael descobriu que com a sua ajuda e o talento de Lance para o ciclismo, ele facilmente se tornaria profissional, já que amealhava taças ganhas. A sua vida deu uma volta de 180º quando, aos 21 anos, sendo um dos mais novos a competir, venceu o Campeonato do Mundo de Ciclismo em estrada.
Armstrong iniciou a sua carreira como profissional pela Motorola em 1992, na clássica San Sebastián, quando terminou em último lugar, prova que venceu em 1995.
A vitória no Campeonato do Mundo de Oslo mostrou um ciclista completo e disposto a tudo.
Um ano depois, em Verdun, venceu a sua primeira etapa do Tour de France. Em 1995 repetiu o triunfo da etapa, em França, e conseguiu a sua primeira vitória numa grande etapa no Tour, triunfo a que somou a Flecha Valona de 1996.
Durante algumas semanas, Lance tinha vindo a observar uma grande inflamação na virilha, e habituado a ignorar a dor não lhe deu importância, até que começou a vomitar sangue, a ter perdas de visão e enxaquecas.
O diagnóstico estava feito: um câncer (cancro) no testículo. Além disso os médicos descobriram lhe, também, dois tumores, do tamanho de bolas de golfe, num pulmão e no cérebro.
Mas para uma pessoa que tinha passado toda a vida em cima de uma bicicleta, render-se à doença não era a opção a tomar. Numa entrevista Lance referiu: "Enganaste-te na pessoa ao escolheres um corpo para viver, cometeste um erro porque escolheste o meu". Lance estava disposto a lutar contra o seu câncer.
A equipe francesa Cofidis rescindiu o contrato com Lance, tendo este que vender o seu Porsche e teve quase de fazer o mesmo com a sua casa. Estava a passar por maus momentos, mas teve forças para seguir em frente.
Aos 25 anos, numa conferência de imprensa, Lance declarou que sofria da grave doença. Um ano mais tarde, embora os médicos lhe dissessem que a probabilidade de viver fosse apenas de 40%, Lance não desistiu, e anunciou que iria regressar.
A Janeiro de 1997, um mês depois de ter acabado a quimioterapia, Lance conheceu Kristin Richard, que foi sua esposa durante cinco anos. Com ela teve três filhos, o mais velho Luke, e os gémeos Grace ("Gee") e Isabelle ("Izzi"), sendo que os gémeos foram fecundados através de sémen congelado de Lance. Após o divórcio, o ciclista iniciou uma relação com a cantora Sheryl Crow.
Lance fundou a "Fundação Lance Armstrong" para a luta contra o câncer, e relatou, em vários livros, a sua própria história, para demonstrar que se pode superar tudo desde que se tenha energia para tal. O seu primeiro livro "It’s not about the bike", vendeu milhares de exemplares, êxito que foi repetido com a sua biografia “Vontade de Vencer – A Minha Corrida contra o câncer”.
Em 1998 a equipa U. S. Postal Service fechou um contrato com Lance, que voltava assim a pedalar. A sua primeira corrida foi a Rota do Sol, em Espanha, ficando Lance em 14º lugar.
Duas semanas depois participou na etapa Paris - Nice. Sem grandes resultados. A temporada não foi de todo suficiente, chegando Lance a pensar numa possível renúncia.
Em vez de fazer isso decidiu concorrer numa das provas mais importantes de todo o mundo. Em 1999 venceu o Tour de France, sagrando-se campeão na classificação geral individual. A este triunfo somaram-se mais seis vitórias no Tour, recorde absoluto. Após sua última vitória, em 2005, Lance anunciou a sua retirada.
No dia 5 de Novembro de 2006, Lance Armstrong participou da Maratona de Nova York, completando o percurso em 2h59min36s, tempo que ficou dentro da meta de 3 horas que ele mesmo havia estabelecido. Na preparação, contou com a ajuda de sua ex-esposa Kristin Richards e seu eterno treinador, Chris Carmichael. Para justificar a inesperada participação na prova, que serviu também para levantar fundos à sua instituição contra o câncer, Lance disse: "Serei sempre um corredor".
Doping
Uma reportagem publicada pelo jornal francês l'Équipe no dia 23 de agosto de 2005 afirmava que Lance Armstrong teria utilizado EPO (Erythropoietina) no primeiro Tour de France que venceu, em 1999. A análise, feita pelo Laboratório Nacional de Detecção de Dopagem (LNDD) de Chatenay-Malabryy (França), tomou por base amostras de urina congelada, colhidas do corredor um pouco antes do início e durante a competição. À época, não havia tecnologia disponível para esse tipo de análise.
A acusação de doping gerou controvérsias entre os ciclistas. Alguns argumentavam que EPO não seria considerado doping à época, outros afirmavam ser um complô para desmoralizar Lance, mas o principal motivo para duvidar das acusações era passional: Lance Armstrong é muito admirado em todo o mundo, por ciclistas ou não, pelo facto de ter conseguido conquistar por sete vezes consecutivas o Tour de France após ter-se recuperado do câncer, além de sua luta em apoio às vítimas da doença. Para essas pessoas, não importava se uma das vitórias foi por meio de doping e, mesmo sendo, seis vitórias já seriam um feito e tanto.
Nove meses depois, no final de maio de 2006, Lance foi considerado inocente das acusações de doping pela empresa independente Scholten, que a UCI encarregou de estudar as alegações do L´Equipe. A advogada neerlandesa Emile Vrijman, que chefiou por dez anos a WADA (Agência Mundial Anti-Doping) e depois passou a defender atletas de acusações de doping, trabalhou no relatório junto ao cientista Adriaan van der Veen, também neerlandês. Segundo Vrijman, os procedimentos de teste foram insuficientes para considerar a amostra de Armstrong positiva e houve má conduta da WADA e do LNDD.
Entretanto, a polémica continua: a UCI criticou Vrijman por divulgar as informações sem ter consultado todos os envolvidos; Armstrong acusa a WADA de agir contra a lei; a WADA afirma que as acusações de Vrijman são irresponsáveis e pretende processá-la; o jornal L'Équipe afirmou que sua reportagem mantém-se correcta, apesar do relatório.

 Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre

Lição de Vida...




Esta história é acerca de um filho que nasceu deficiente, mas com um pai extraordinário. Ambos alcançaram feitos históricos na competição mais difícil do mundo, o IRONMAN.

Esta história REAL começou em Winchester, os nos Estados Unidos da América, há 43 anos.

Foi então que Rick, ao nascer, foi estrangulado pelo cordão umbilical durante o parto, fazendo com que o cérebro sofresse danos irreversíveis. Uma lesão cerebral incapacitou-o de controlar os membros do corpo.

Os médicos disseram rapidamente:

“Rick irá ser um vegetal para o resto da vida. Deverá ficar numa instituição.”, disseram quando Rick tinha 9 meses.

O seu pai Dick, e a sua esposa Judy, tomaram uma diferente opção.

Com o passar do tempo, os pais repararam que os olhos do filho Rick, os seguiam pela casa. Algo se passava naquele cérebro.

Quando Rick fez 11 anos, levaram-no ao departamento de engenharia da Tufts University para tentar saber se ele poderia, de alguma qualquer possível forma, comunicar.

Depois de testes e análises a conclusão foi devastadora:

“Não há qualquer hipótese para Rick comunicar.”

Seu pai, como sempre, desafiou.

“Contem-lhe então uma anedota.”, disse Dick.

E eles assim fizeram. Na cara de Rick, o filho, apareceu um sorriso…

A partir daí, as coisas evoluíram.

Adaptaram um computador ao corpo e à cadeira de Rick para que ele pudesse comunicar.

Depois de algum treino, saíram então as primeiras palavras:

“GO BRUINS!”

É o grito de equipa da Universidade da Califórnia. E foi assim que Rick começou a comunicar.

Passado algum tempo, um estudante ficou paralítico após um acidente e a sua escola organizou uma corrida para a recolha de fundos. Rick soube desse evento e escreveu para o pai através do tal computadorzinho:

“Pai, eu quero participar.”

Como poderia Rick, o filho, sem se conseguir mexer, participar, pensou o pai…

O pai, “gordo que nem um texugo”, como ele próprio dizia, nunca tinha corrido mais do que um quilômetro sozinho. Quanto mais a empurrar alguém por 8 quilômetros!

Desafiando-se a si próprio, e a todo o seu corpo e físico, o pai Dick decidiu tentar correr essa mini-maratona empurrando o filho.

“Daquela vez fui eu o inválido.”, lembra Dick, “Fiquei cheio de dores durante 2 semanas.”

Mas conseguiram. Ambos terminaram a corrida. Um evento que viria a mudar a vida de Dick, Rick e a dar uma mensagem ao mundo.

Quando terminaram a corrida e vieram para casa, Rick correu para o seu computador e escreveu:

“Pai, quando nós estávamos a correr, eu me senti como alguém sem qualquer deficiência.”

Tal frase mexeu fundo na cabeça do pai. Mexeu de tal forma que o pai decidiu dar ao filho essa sensação sempre que pudesse.

Quando, em 1979, Rick ouviu falar da Maratona de Boston, não de 8, nem de 21, mas de 42 quilômetros (!!!!!!!), quis entrar!

O homem que nunca tinha corrido mais de 1 quilômetro seguido queria correr 42 quilômetros, empurrando ao mesmo tempo o seu filho!

“É impossível!!!”, disse um dos organizadores da corrida.

É que pai e filho não eram um só corredor, como é obrigatório, e também não se enquadravam na categoria dos corredores de cadeira de rodas.

Mas Rick não desistiu. Durante alguns anos, ambos entravam simplesmente na multidão e corriam. Iam de qualquer jeito, sem pensar se podiam ao não. Claro que não tinham medalhas, camisolas, não estavam inscritos, mas isso era o menos importante para eles. O prêmio era incrivelmente superior para cada um deles.

No entanto, em 1983, eles já tinham corrido tantas vezes e terminado com sucesso as maratonas, que o seu tempo permitiu qualificá-los para participar então na tal Maratona de Boston.

Durante vários anos, assim eles iam à maratona e superavam tempos e limites, nunca antes imaginados.

Mas alguém veio colocar a fasquia AINDA mais acima. Sugeriram Triatlo. Triatlo é uma prova composta por 3 atividades: corrida, natação e bicicleta.

Dick, o pai, não sabia nadar!! Dick não andava de bicicleta desde os 6 anos de idade! Como fazer tal prova poderia ser possível, ainda por cima, carregando o seu filho de 50 quilos?

Achou que seria impossível. Mas, como sempre, Dick, um pai extraordinário, tentou. Tudo pelo seu filho.

Ultrapassando a barreira do impossível, ambos, pai e filho concluíram assim uma prova de triatlo.

Mas havia uma prova de triatlo que superava tudo. É a prova chamada de IRONMAN.

IRONMAN é uma prova que é composta por 8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42 km de corrida, que demora 15 horas sem parar em esforço super intenso.

Pouca gente no Mundo conseguiu concluir essa prova! Mas Dick estava determinado a fazê-la.

E Dick não a ia completar sozinho… mas carregando o seu filho Rick!

A alegria do seu filho ao completar as provas era tão grande, que o seu pai tentava o impossível. A medalha era o sorriso de Dick.

“Eu entro nas competições para poder ter o grande sorriso que temos enquanto corremos, nadamos e pedalamos juntos.”, disse o pai.

A determinação de ambos foi tal que os resultados são impressionantes.

Rick, com 65 anos, e Dick, com 43 anos, entraram na 24ª Maratona de Boston e concluiram-na na posição 5,083, entre os mais de 20,000 participantes.

O seu melhor tempo de maratona é de 2 horas e 40 minutos, batido em 1992. Este tempo é 35 minutos acima do que o recorde mundial!! Recorde este que foi feito por um homem que corria sozinho, como é normal.

“O meu pai é o Pai do Século.”, diz Rick.

E agora, para teres uma idéia, ambos já completaram 984 provas!!!!! Eis algumas das distâncias já percorridas:

  • 229 Triatlos
  • 6 Ironman
  • 20 Duatlos
  • 66 Maratonas, 26 Maratonas de Boston
  • 84 Meias maratonas
  • 212 vezes -- 10 quilômetros
  • 108 vezes -- 5 quilômetros

Há alguns anos, Dick teve um pequeno ataque cardíaco durante uma corrida. Os médicos descobriram então que uma das suas artérias estava 95% entupida. As conclusões que chegaram foram que se não se tivesse colocado em forma, poderia ter morrido uma década antes.

Rick hoje tem o seu próprio apartamento e trabalha em Boston. É acompanhado regularmente por médicos devido ao seu estado de saúde.

Dick reformou-se do exército e vive agora em Holland, no estado de Massachussets.

Ambos dão palestras e continuam a participar de provas e competições.

Mas, depois de tudo o que o seu pai fez, Rick tem ainda um sonho:

“Gostava de um dia poder empurrar o meu pai na cadeira de rodas. Pelo menos uma vez.”, escreveu Rick.