Favoritos para a Maglia Rosa...



Por Tadeu Matsunaga

No próximo sábado tem início o Giro d’Italia 2012. A competição, como quase todo ano, sempre traz novidades e não será diferente agora, com a largada partindo da Dinamarca – é a primeira vez que a competição chega na Escandinávia – e com o início da era Acquarone após quase uma década da organização estando nas mãos de Zomegman.

A ausência da “querida de todos” Acqua & Sapone, a incerteza sobre a performance da NetAPP, etc. Algumas incertezas cercam à prova, mas a principal expectativa é sobre quem irá vestir a maglia rosa, que em 2011 esteve nas mãos de um fenomenal Alberto Contador, mas que depois migrou para o italiano Michele Scarponi após ser confirmada a suspensão do espanhol.

Considerado desde então o campeão do último ano, Scarponi encabeça a lista de favoritos que sonham em vestir em definitivo a camisa rosa em Milão, no próximo dia 27. Além dele, Ivan Basso, Roman Kreuziger, Jose Rujano, Ryder Hesjedal, Frank Schleck, Joaquim Rodriguez, Damiano Cunego, Domenico Pozzovivo e John Gadret surgem como candidatos ao Giro 2012.

Quem é quem

Michele Scarponi: Líder da equipe Lampre, em 2011 esteve presente em diversas competições que serviram como prévia do que seria o Giro. Não teve momentos de brilhantismo, apesar do ímpeto italiano de “se deixar levar com o coração”. Forte nas montanhas e afirmando estar melhor nos contrarrelógios, tem motivos para estar confiante e na busca do bicampeonato. Tem como companheiro Cunego, que também pode surpreender. Ou seja, ego pode atrapalhar tanto um quanto outro. Não bastasse os rivais,o histórico joga contra ele. Ninguém vence duas vezes seguidas na Itália desde 1993.

Ivan Basso: Bicampeão do Giro (2006 e 2010), Basso parece não estar na mesma forma de anos anteriores. Teve dificuldades no Giro de Trentino e no Tour da Romandia, apesar de apresentar evolução, não pareceu estar próximo do campeão de dois anos atrás. Não preza pela explosão nas escaladas, mas pela regularidade, sempre mantendo o passo. Apesar de algumas desconfianças que o cercam, tem uma das melhores equipes para auxiliá-lo na prova de três semanas.

Roman Kreuziger: Depois de algumas temporadas e bons desempenhos na grande volta, apesar de nunca figurar no top 3, aos 26 anos o ciclista da República Tcheca chega num divisor de águas na carreira: permanecer como a eterna promessa ou virar em definitivo. Em 2011 terminou na 6ª posição no geral e suas pretensões são de um lugar no pódio em Milão. A Astana confia plenamente no ciclista, que surge como principal nome para corridas de três semanas.

John Gadret: O francês foi uma das surpresas no ano passado e terminou na quarta posição (depois da suspensão de Contador pulou para terceiro). Oriundo do Mountain Bike, mais uma vez terá que prevalecer nas subidas se quiser sonhar com algo melhor, já que pena nas cronos, onde tem um desempenho bem abaixo da média. No ano passado se impôs frente a nomes como Kreuziger, Rujano e Menchov.

Joaquim Rodriguez: No ano passado teve provavelmente seu melhor desempenho em grandes voltas. O espanhol mostrou-se forte nas subidas (uma prévia do que havia apresentado nas clássicas) e saltou do 22º lugar para o 5º lugar na duras montanhas do percurso. Assim como Gadret não possui uma grande crono,porém nenhum dos favoritos tem como especialidade o contrarrelógio. É um dos mais talentosos ciclistas da competição para as subidas. Pode ser o melhor ano de sua carreira.

Jose Rujano: O venezuelano de 30 anos ressurgiu no ano passado e conquistou uma 7ª posição no geral após anos sem grandes apresentações. Foi o único que resistiu ao ataque de Contador no Etna e chega com status na atual temporada. Pode não ser o nome para ser o campeão, mas sua explosão nas subidas podem definir quem será o dono da maglia rosa.

Frank Schleck: O mais velho dos irmãos luxemburguês conta com uma incógnita que assombra não apenas o histórico familiar, assim como da equipe RadioShack-Trek. Apesar das controvérsias e indefinições que seguiram desde o começo do ano sobre a presença ou não de Frank no Giro, o martelo foi batido e ele estará presente. Na teoria ele tem totais condições de se equivaler e até mesmo superar Scarponi, Basso, etc, mas sua motivação pode ser questionada, já que ele tradicionalmente tem preferência pelo Tour de France. Se estiver decidido e motivado vai incomodar.

Damiano Cunego: Campeão do Giro d’Italia 2004, Cunego era tido como a nova estrela do ciclismo italiano, mas não se transformou em tudo aquilo que esperavam. Uma apresentação consistente no Tour de France do ano passado relembrou seu talento para as escaladas. Se mostrar todo seu potencial figura entre os favoritos e pode causar incomodo aos adversários e seu companheiro Scarponi.

Domenico Pozzovivo: O bom desempenho em Trentino reforçou suas credenciais. Certamente é discutível associar isso como referência, já que se trata de uma competição de apenas três dias, mas o líder da Colnago – inspirado – pode promover alguma surpresa.

Ryder Hesjedal: Depois de um ano sem tanto brilho no Tour de France, o canadense parece disposto a firmar seu nome e o da Garmin na Itália. É sério candidato, no mínimo, ao top 5, com um forte desempenho no contrarrelógio por equipes, o que pode ser um auxílio para se manter entre os ponteiros no final da terceira semana.